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A internet me deu a sensação de chegar ao caminho

Quando me convidam para participar de aulas em faculdades, é comum eu contar como eu entrei para a internet. E sempre conto a história incluindo elementos meio sobrenaturais ou, pelo menos, irracionais, para explicar o que me motivou a, aos 26 anos, me aventurar para dentro de uma nova indústria sem ter nenhum treinamento específico na área.

A internet apareceu para mim não apenas como uma maneira de ganhar dinheiro. Essa história envolve uma sensação de ter descoberto um propósito, de estar me encontrando ao dar vazão à curiosidade pela comunicação em rede. E estou contando isso agora porque acabo de encontrar um relato do cara - Jack Dorsey - que teve a idéia do Twitter.

O relato dele também inclui uma espécie de vidência, uma visão sobre algo muitos anos antes daquilo se materializar. Colei um trecho a seguir e o conteúdo integral está aqui:

That’s because Twitter didn’t really start in 2006. It started in Jack’s head back when he was fifteen years old. He was iust a geeky kid living in St. Louis in the 1990s who had an unnatural obsession with the dispatch industry. Particularly the armies of couriers who physically took something, put it in their messenger bags, and dropped the packages off somewhere else. He thought about it the way other fifteen-year-olds think about half-naked girls or Star Wars—with sheer awe that never seemed to end. And when he thought of dispatchers, he would picture a huge map of New York city with blinking lights of couriers all acting like a flock of birds navigating the city individually, but also as one. A symphony of bikers fanning out in different corners of the city, crossing paths seamlessly, each on their own route, then coming back to the same place at the close of business. All controlled by one conductor; one master plan. “I wanted to write software to do it,” Jack says, “I just had to.”

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Não faço idéia de quem seja

Ana Carolina by Alexandre ChangNo restaurante onde eu geralmente almoço tem uma tv que passa shows de artistas. Hoje eu estava comendo e prestando atenção na apresentação de uma cantora brasileira. Fiquei espantado pela qualidade da produção, figurino impecável, projeções no palco, orquestra acompanhando. E fiquei ainda mais espantado por eu não saber o nome dela e nem reconhecer seu rosto ou as músicas.

Fiquei pensando se, antes da internet, era possível alguém ignorar tão integralmente a existência de um artista-celebridade dessa grandeza. OK, voce podia não gostar da música, mas sabia o nome, reconhecia o rosto e as músicas ou pelo menos a voz. E não era o caso hoje. Se ela tivesse tomado ônibus comigo e se sentado do meu lado, eu não teria idéia de que se tratava de uma pessoa famosa. Me perguntei o motivo disso e a única resposta razoável é a internet.

Por causa da internet, eu não dependo dos meios tradicionais para me informar sobre o que escutar. Tenho a oportunidade de receber recomendações diretamente de pessoas que eu conheço, da mesma forma como acontece nas mesas de bar. - “Conhece tal pessoa?”, “Já ouviu o disco novo de Fulano?”. E mais, nem preciso conhecer a pessoa, existem mil serviços que acompanham os gostos de pessoas e são capazes de fazer recomendações. Por coincidência, esbarrei hoje com o Live Plasma - link a seguir. Ele mapeia nomes de artistas relacionados segundo características comuns:

http://www.liveplasma.com

Não estou repetindo o que todo mundo que usa a Web sabe, ou seja, que pela Web a gente abre canais de conhecimento e informação menos massificados, homogenizados. Estou só registrando a surpresa ao notar o grau de alienação que isso provoca. De repente, vou estar vivendo ao lado da pessoa, no mesmo país, e não ter mais assunto para conversar.

E se você também não reconheceu o rosto da moça, na saída do restaurante eu perguntei, o nome dela é Ana Carolina.

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Saem 2 livros brasileiros sobre comunicação online com versões free e impressa

Ontem a @raquelrecuero anunciou pelo Twitter que o novo livro dela - redes Sociais na Internet - já está sendo pré-vendido pela Livraria Cultura.

Conversamos online na sequência e eu disse a ela que estava feliz pela notícia do novo livro. Falei que achava que todo mundo devia escrever livros e aquilo deve ter soado estranho. Não consegui me explicar bem na hora.

Hoje baixei o livro novo do @cavallini e, lendo o texto da orelha, encontrei isto:

Onipresente, o terceiro li­vro de Ricardo Cavallini, fala das mudanças que estão ocorrendo com o consumidor, nas agências, na comunicação. Não apresenta fórmulas mágicas, mas colabora com conhecimento, tão importante nesses tempos empíricos.

Se você ainda não entendeu essa tênue relação entre o “gut felling” e o conhecimen­to, vale lembrar a frase antológica de Lee Trevino, um dos golfistas de maior sucesso no mundo. Após uma tacada longa e precisa, uma voz feminina gritou da arquibancada: “Que sorte!”. E Trevino respondeu em voz baixa, mas perto dos microfones: “É minha senhora…quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho.”

É o que eu tentei dizer para a Raquel ao falar que todo mundo devia escrever livros. Não que todo livro seja bom, mas fazer um livro para ser publicado é um experimento de aprendizado exaustivo que passa pelo confronto entre gutt feeling e conhecimento. Você “sente” que as coisas funcionam de uma maneira e precisa pesquisar para ver se outras pessoas chegaram a resultados parecidos e aprender com elas.

Sinto falta de livros na nossa área feitos por aqui, livros que dêem aprofundamamento para idéias. Ao contrário, tenho a sensação que vivemos repetindo chavões, os mesmos cases, montes de gutt feeling e argumentos tirados de best sellers internacionais.

O lançamento desses livros é boa notícia por outro motivo, igualmente importante. Ao oferecer o Para Entender para editoras, escutei: - O que garante que tendo a versão online as pessoas vão pagar pelo livro impresso? Os dois livros saem nas duas plataformas e será bacana ver em que medida se sustenta a hipótese de que o documento online favorece a venda por ser um grande motivador para a distribuição boca-a-boca.

Estou falando do seguinte: voce é uma pessoa super envolvida com esses assuntos, mídias sociais, colaboração, comunicação pós-Web. Se você está disputando vagas no mercado e quer crescer na carreira, é bem provável que você baixe e leia um desses livros para ter diferenciais, para não ficar atrás e para falar coisas diferentes, ter conhecimento. E - aí a mágica - você acha um dos livros particularmente esclarecedor, interessante, bem escrito, atual - e ainda está de graça. O que você faz? Recomenda.

Muito possivelmente a recomendação chegará a pessoas que de outra maneira não teriam ficado sabendo do livro e que preferem comprar o exemplar impresso.

Se um desses livros ou ambos venderem bem - não precisa esgotar, só ter boa venda - podemos juntar esses resultados com a idéia que está no centro de toda essa mudança e que foi repetida hoje pelo Vinton Cerf, do Google, em Belo Horizonte: “Some people say that information is power. Now, information sharing is power!”

Posts sobre esses resultados serão bem-vindos.

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Obama continua conversando com os americanos e promovendo o debate

O Barack (Obama) acaba de me escrever. OK, é uma mensagem enviada a milhares de pessoas, todos os que se inscreveram para receber as newsletters dele durante a campanha, mas aproveito a oportunidade para chamar a atenção para compartilhar a mensagem - abaixo - e chamar a atenção para alguns aspectos dela.

1) Esse é o presidente dos EUA mandando uma mensagem direta para os cidadãos do país, passando ao largo de toda a imprensa, prestando contas ao país sobre uma decisão importante.

2) Detalhe técnico: a mensagem vem com o link para um video sobre o assunto, que está no YouTube, mas embedado na página pessoal de Obama - não é o site da Casa Branca nem outro ambiente oficial.

3) Assistindo o video, note que ele não é gravado em estúdio. Obama está sentado em um sofá que pode ser na Casa Branca como na casa dele, tem a moldura de um quadro aparecendo no fundo, ou seja, esse tipo de participação provavelmente não consumiu tempo (precioso) para execução, o que quer dizer que ele pode ser realizado com frequencia.

4) Ele termina a mensagem convidando as pessoas para debaterem o assunto, ou seja, ao invés de deixar cada um discutir em seus espaços, ele convida quem quiser a falar sobre isso no mesmo ambiente, permitindo não só o monitoramento da temperatura do debate e de como o público está recebendo a notícia, como estando em um espaço administrado pela equipe dele, só ele pode mandar mensagens para todos os participantes, por exemplo.

Estamos nos aproximando da eleição presidencial de 2010 e não pude deixar de imaginar o que seria ser tratado dessa forma, ou seja, ter um canal de interlocução com o representante máximo do meu país. Quero que ele me explique porque tomou uma determinada decisão e quero, se for do meu interesse, ser convidado para discutir esse assunto com outras pessoas que queiram trocar impressões sobre isso.

Agora, a mensagem:

juliano —

I am proud to announce my nominee for the next Justice of the United States Supreme Court: Judge Sonia Sotomayor.

This decision affects us all — and so it must involve us all. I’ve recorded a special message to personally introduce Judge Sotomayor and explain why I’m so confident she will make an excellent Justice.

Please watch the video, and then pass this note on to friends and family to include them in this historic moment.

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Judge Sotomayor has lived the America Dream. Born and raised in a South Bronx housing project, she distinguished herself in academia and then as a hard-charging New York District Attorney.

Judge Sotomayor has gone on to earn bipartisan acclaim as one of America’s finest legal minds. As a Supreme Court Justice, she would bring more federal judicial experience to the Supreme Court than any Justice in 100 years. Judge Sotomayor would show fidelity to our Constitution and draw on a common-sense understanding of how the law affects our day-to-day lives.

A nomination for a lifetime appointment to the highest court in the land is one of the most important decisions a President can make. And the discussions that follow will be among the most important we have as a nation. You can begin the conversation today by watching this special message and then passing it on:

http://my.barackobama.com/SupremeCourt

Thank you,

President Barack Obama

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Troque sua banda ociosa por acesso remoto grátis

Ainda quero pesquisas mais para escrever sobre este projeto: http://www.whisher.com. Superficialmente, entendi o seguinte: você tem um wi-fi em casa que passa uma parte do dia ocioso. A idéia é disponibilizar essa conexão para outras pessoas que utilizam o mesmo serviço. 

Não sei em detalhe como funciona. Vi que você baixa um programa, instala e ele provavelmente marca a sua localização no mapa de modo a que outras pessoas possam encontra-lo.

Na medida em que usam a sua conexão, você ganha pontos e passa a poder usar a conexão de outras pessoas também. 

Acaba funcionando como uma espécie de poupança, ao invés de você perder a oportunidade de consumir o que está pagando (porque o plano é fechado), você deixa outras pessoas usarem e transforma a sua ociosidade em crédito. 

Dependendo de onde você estiver - se for uma cidade grande nos EUA, com muitos usuários deste serviço - a contratação de banda larga móvel deixa de ser interessante porque algumas áreas vão ter bastante disponibilidade de sinal.

Esse é um dos casos em que fica difícil pensar se a iniciativa é “socialista” ou “capitalista”, porque é ao mesmo tempo boa para o indivíduo e para a sociedade. 

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A inteligência coletiva aplicada à preferência por filmes - uma anotação

Pesquisando para fazer uma apresentação, encontrei um site chamado List of Bests - http://www.listsofbests.com - usuários são convidados a listar itens - como livros, música, cinema - em ordem de preferência.

Explorei pouco o serviço. Fui entrando pela seção relativa a cinema que ordena as listas em quatro categorias:  New | Award Lists | Definitive Lists | Personal Lists | Bests Lists. Escolhi a última opção, achando que encontraria as listas mais votadas.

No topo da página o primeiro item é My favorite movies que ocupa essa posição porque tem o maior número de contribuintes: 419. Abri a lista e para a minha surpresa, encontrei uma seleção estranhamente parecida com o meu gosto.

São filmes primordialmente feitos nos EUA e que se posicionam entre o blockbuster comercial e o filme alternativo, eles têm características de ambos: grandes produções, atores “top”, mas com roteiros diferenciados. Enfim.

Daí caiu a ficha: aquela não era uma lista feita por uma pessoa, mas uma tabulação das listas feitas pelas 419 pessoas, o sistema juntou todos os filmes incluídos e gerou a relação pela quantidade de menções.

Não sei se consigo explicar a sensação que essa descoberta me trouxe. Me senti previsível, em parte, padronizado, segmentado. Mas também me veio um certo contentamento por me ver pertencendo a um grupo, por saber que na internet - pelo menos na internet que eu frequento - predominam pessoas com uma sensibilidade parecida com a minha.

E finalmente me ocorreu um estalo em relação àquela história da “inteligência coletiva”, a idéia de que grupos são melhores para chegar a estimativas. Enfim, o pensamento ainda não está arranjado, organizado, mas quis compartilhar mesmo assim.

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Radialistas produzem coberturas alternativas com Gengibre

Ontem o convidado do Talk Show foi o (poeta, professor de inglês, empresário, interneteiro e) VJ da MTV, Cazé Peçanha. A conversa girou em torno do Gengibre e do lançamento na semana passada de sua nova versão. O resultado ficou ótimo, escrevi mais sobre o que rolou aqui, mas uma coisa tem mais a ver com este blog.

Notamos o que parece ser uma tendência nova e forte no Gengibre: radialistas profissionais de meios importantes começam a usar a ferramenta para produzir conteúdo próprio. A lógica é simples: eles já vão fazer as coberturas, mas o espaço que eles têm geralmente é reduzido, o conteúdo aproveitado pelas emissoras tende a ser pequeno, eles poderiam aproveitar muito mais a situação, e é o que começa a acontecer.

Vanessa Ruiz da CBN/Globo, Victor Birner da CBN e Conrado Giulietti da Eldorado/ESPM - coincidentemente todos envolvidos com a cobertura esportiva - aproveitam suas pautas para produzir conteúdo original e postar isso em seus blogs. E as ações deles são espontâneas e aparentemente independente - eles se apropriaram da ferramenta.

Olha que “subversão” boa: a ponte no sentido da democratização da produção de conteúdo sendo construída não só pelo amador mas também pelo profissional que, apesar de estar dentro do veículo, não tem toda a liberdade, nem de pauta nem de tempo. Agora tem e está se dando conta que a internet é pode ser um problema para o negócio jornalístico, mas que é uma imensa oportunidade para o profissional da comunicação - conforme a Beth Saad comentou nesta entrevista.

ps. Tomara que as emissoras, percebendo isso, não se sintam “traídas” por quem estiver experimentando mas, ao contrário, encontre maneiras de premiar as pessoas e aproveitar de maneira inteligente essas soluções.

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Usuários votam para escolher termos de uso do Facebook

Acompanhei essa história de longe. Desencanei do Orkut há muito tempo e entre FB e Twitter, sou devoto do último. Mas fiquei sabendo do barulho que a comunidade de usuários - ou uma parte mais ativa dela - fez por causa de uma mudança nos termos de uso, provavelmente relacionado a privacidade ou publicidade - é sempre isso.

O caso é que os donos do brinquedo propuseram resolver o mal-estar deixado pela tentativa de mudança de regras - eles voltaram atrás - através de uma eleição para escolher o novo termo de uso. Bueno, parece bem jóia, né? Eu também achei, mas estranho.

Lendo esta post, ficou claro o problema: só existem duas opções de termos de uso e ambas foram elaboradas pelo FB. (Da base de 200 mi, só 0,3% quis participar.) Se eles queriam ser realmente democráticos, como era a proposta, poderiam ter feito uma votação para escolher representantes entre os usuários. Seria mais representativo.

Não deixa de ser um encaminhamento interessante.

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A internet é a terra prometida? A redenção da humanidade?

acaba de sair do forno a segunda tradução do Adote um Parágrafo. segue para voces verem. o texto do steven johnson dialoga com o anterior do clay shirky. eles usam argumentos diferentes para chegar a conclusões parecidas.

agora pus no ar um texto bacana porque desconstroi o que o shirky fala. para o shirky, os anos 60 foram os anos da TV. o novo autor, nicholas carr, sustenta que shirky é deslumbrado com a web e que havia muita coisa acontecendo nos anos 60 fora da TV.

a ajuda de voces traduzindo e convidando amigos para adotar parágrafos será, como sempre, fundamental. como eu criei um documento novo, para participar da tradução é só pedir acesso no final da página. qualquer dúvida, é só me escrever.
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O futuro do livro: leitores participam

Para onde está indo o livro? Este post, que a Barbara Dieu me mandou, indica dois caminhos: o do livro multimidia tendendo para o RPG e o do livro colaborativo.

O livro multimedia é uma espécie de jogo, a plataforma escrita manda o leitor para outros lugares, para um DVD, por exemplo, ou para um site. O consumo da obra implica em trilhar um labirinto de possibilidades, escolher percursos, ver a história pela perspectiva de personagens diferentes.

O outro caminho, que me interessa mais, é o de livros que se tornam canal para a produção de outros conteúdos. A margem do livro, por exemplo, que é onde cada leitor deixa suas anotações, conversa solitariamente com o autor, agora pode ser compartilhada. Este experimento, por exemplo, reúne sete mulheres para comentar página a página um livro de Dorris Lessing. Elas vão construindo a experiencia da leitura refletindo sobre como cada uma está vivendo o livro.

O post aponta para outra possibilidade, ainda, derivada dessa primeira, que é a do autor já produzir o livro tirando proveito do relacionamento com outras pessoas interessadas. Ao longo do trabalho, ele anota seus percalços e recebe comentários e desfruta das conversas resultantes dessas situações.

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