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Sobre o fato de executivos da ONU nao “sacarem” a antropologia

Eu estava conversando com uma colega que participou ha pouco de um congresso sobre desenvolvimento. Ela relatou ter conversado com oficiais das ONU e escutado que eles nao conseguem entender a antropologia.

Como e’ possivel que executivos da Uniao das Nacoes Unidas, uma entidade que tem por finalidade especialmente mediar o relacionamento entre nacoes (e culturas) diferentes dizerem uma coisa dessas? E eu nao acho que seja culpa deles. Ler antropologia e’ maravilhoso, mas e’ muuuuito trabalhoso, mas nao deveria se por dois motivos:

- antropologia, em certo aspecto, devia ser a coisa mais obvia do mundo porque e’ o estudo de pessoas (em grupos pequenos como familia, tribo, etc), so que, me digam, qual de voces nao pode se considerar, de certa maneira, estudioso de pessoas? Para a gente viver (e sobreviver) em sociedade a gente precisa ficar o tempo todo sofisticando essa capacidade de decifrar o outro.

- O outro motivo e’ que, da mesma forma como as pessoas sao sempre surpreendentes quando a gente as conhece de perto, os bons estudos antropologicos sao sempre interessantes e surpreendentes. Quem nao leu nao faz ideia de como a vida ganha outras cores. Antropologia e’ tipo uma psicologia para grupos - antropologos, nao me apedrejem! -, mostra como somos iguais na diferenca e diferentes na semelhanca - nao vou poder elaborar mais sobre isso agora, mas e’ verdade.

Fiquei pensando, entao, o que ainda impede que a antropologia seja melhor divulgada, ou que os antropologos conversem mais com o publico nao-especialista, e me ocorreu a seguinte hipotese:

Quem e’ da academica sabe como existe preconceito entre academicos contra a Wikipedia porque o conteudo supostamente nao e’ confiavel. Acontece que qualquer um que tenha tentado publicar um texto na Wikipedia - como e’ o meu caso - sabe como isso e’ dificil em funcao das regras criadas para garantir a veracidade e a relevancia da informacao publicada.

Da’ a impressao que a comunidade da Wikipedia - falo isso com todo o respeito a ela - tem a auto-estima fraturada por conta (entre outros motivos) dessa rejeicao da academia e que, por isso, cria regras e controles ultra rigidos.

Pensei nisso porque essa atitude reativa tambem pode explicar a dificuldade dos antropologos de conversarem com quem nao e’ antropologo. A antropologia esta’ tao no limiar entre ciencia natural e humana que talvez acabe fazendo um grande esforco para mostrar que e’ ciencia. E esse esforco se reflete na austeridade e rigor com que os textos - pelo menos os que eu conheco - sao produzidos.

Enfim, e’ so uma ideia - mais uma - pra registrar por aqui.

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Divulgação: UMA ANTROPOLOGIA DO CIBERESPAÇO E NO CIBERESPAÇO

Recebi a informação e estou repassando para contribuir com essa visão de que a antropologia oferece ótimas ferramentas para se pesquisar e para se analisar a internet.

Solicitamos divulgação, junto a seus colegas e alunos, do chamado para o GT sobre Antropologia da Cibercultura na próxima RAM, Reunião de Antropologia do Mercosul, a realizar-se de 10 a 13 de Julho na UFPR, em Curitiba, no Paraná.

As inscrições de resumos devem ser realizadas somente através do site da RAM: http://www.ram2011.org/

Coordenadoras: Dra. Eliane Tânia Freitas (UFRN) y Dra. Marian Moya (Univ. de Buenos Aires) A antropologia do Ciberespaço, da Cibercultura e do Consumo de Tecnologias Digitais no mundo contemporâneo começou a ocupar um lugar central no nosso campo disciplinar. Este protagonismo, sem dúvida, caminha junto com a importância das novas tecnologias na vida cotidiana das pessoas, em todos os setores sociais, políticos e culturais. A reflexão proposta por este GT não somente quer problematizar a epistemologia, a dimensão conceitual vinculada às TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação), mas também explorar as potencialidades e limites do trabalho de campo “online” e da chamada “experiência etnográfica virtual”: em contraste, comparação e complementariedade com a etnografia presencial. Por outro lado, neste GT esperamos discutir em dois níveis, diferentes mas complementares: os aspectos e as experiências do ciberespaço e no ciberespaço. No primeiro caso, serão enfatizados os aspectos operacionais, tecnológicos e cognitivos do consumo das diversas plataformas de redes sociais. As seguintes perguntas orientarão nossas discussões: de onde vem o desejo ou a necessidade de criar e manter um perfil no Facebook, Twitter, Orkut, Linkedin, etc.? Para quê investir tempo, esforço, criatividade em um blog? Por que algumas plataformas são mais populares do que outras? Qual o fator preponderante na hora de optar por um site ou outro: necessidades específicas, acessibilidade (disponibilidade material e de capacidades simbólicas para operar online), praticidade? No segundo nível, discutiremos a modalidade e características próprias das interações sociais que cada uma dessas plataformas propõe e promove, as possibilidades, os novos valores, a construção de novas sociabilidades, as limitações e os efeitos (políticos, ideológicos, socioculturais) que as novas tecnologias possam estar trazendo para a vida social. Em suma, o GT propõe uma reflexão, um debate e problematização do repertório teórico-metodológico dos temas vinculados à antropologia no e do ciberespaço, da relevância das TIC’s na vida cotidiana, da construção de outras modalidades de relacionamento social a partir das redes sociais e das vantagens e dificuldades apresentadas pela etnografia virtual ou “online”. Naturalmente, esta proposta não esgota o espectro de tópicos de interesse possíveis nesta subárea disciplinar relativamente nova. Por isso, outros pontos de vista, enfoques, perguntas etc. que estejam além dos propostos aqui serão também bem vindos em nosso grupo.

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8 dicas para encarar a carga de leitura da pós-graduação

Aprender é uma coisa. Outra coisa é aprender a aprender. Não basta saber ler e sentar em sala de aula. Existe um intermediário na relação entre você e o conhecimento, o seu corpo, e tenho a impressão que isso às vezes não é considerado.

Segue, então, algumas dicas para quem está pensando em voltar a estudar ou já voltou e ainda está procurando seu ritmo, principalmente em relação à prática da leitura:

1. ler para um curso não é o mesmo que ler por prazer, os temas são impostos a partir da proposta do curso e pode acontecer de eles não terem a ver com os seus interesses. Isso quer dizer que você precisará de mais concentração para chegar ao final.

2. as revistas científicas impõem limite de tamanho para aceitar os artigos submetidos. Isso quer dizer que o autor vai espremer dentro daquele espaço o máximo que puder. Isso significa usar referências em vez de explicar assuntos paralelos ao tema e também subtrair exemplos desnecessários. Resultado: dá mais trabalho ler.

3. quando for estudar, antes de começar a ler, dê uma geral nas suas obrigações do dia e da semana. Isso inclui ver quantos textos você tem para ler, quantos você acha que conseguirá ler no dia e que ordem vai seguir de maneira a mesclar os textos mais difíceis com os mais leves.

4. na hora de começar a leitura de um texto, antes de mergulhar nos parágrafos, dê uma passeada pelo conteúdo. Passe página a página, leia com cuidado os títulos e subtítulos já tentando advinhar a lógica do argumento do autor.

5. não comece a ler um texto sabendo que terá que interromper a leitura. Quando eu fiz isso, fiquei com a sensação de ter concluído físicamente a tarefa sem ter concluído a experiência, sem ter extraído o que eu deveria desse esforço, e isso traz frustração porque é tempo desperdiçado.

6. na hora que você terminar a leitura, produza um resumo de até dois parágrafos explicando (para você mesmo) o que você apreendeu do texto. Esse momento é fundamental porque nesse esforço de explicar e sintetizar ideias, a gente introjeta o conhecimento.

7. inclua, na sua programação de estudo, tempo para descansar a cabeça. Apesar de não ter músculos no cérebro, a cabeça também cansa e perde rendimento. Eu sei que isso está acontecendo quando perco a capacidade de acompanhar o raciocínio do autor. Tome uma água, dê um tempo. Insistir na leitura significa acumular frustração.

8. considere que para tudo existe uma curva de aprendizado e que o começo costuma ser frustrante, por mais que você esteja interessado no curso e no assunto das aulas.

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Sobre o nhé-nhé-nhé corporativo em relação a direitos autorais

Um amigo que trabalha para uma empresa fundada no comércio de conteúdo informacional - e que, consequentemente, depende da existência de leis de direitos autorais para ganhar dinheiro - tem me provocado de forma amigável para debater a legitimidade ou não do download de material proprietário.

O argumento dele ecoa o de muitos outros que representam os mesmos interesses: a não remuneração lesa e desestimula aqueles que dedicam tempo e criatividade para produzir esse conteúdo, seja ele um programa, um filme ou uma música. A consequência disso seria, segundo essa visão, prejudicial para a sociedade na medida em que quem hoje produz tenderá a deixar de fazê-lo.

Clay Shirky é um dos comentaristas do assunto que colocou esse problema em perspectiva referindo-se a uma situação parecida vivida na Europa durante os séculos 15 e 16. O advento da tecnologia de publicação com tipos móveis inventada por Guttenberg tornou obsoleto o trabalho - até então absolutamente necessário - dos chamados monges copistas. Argumentos parecidos foram usados para defender a permanência do sistema anterior, mas o novo modelo prevaleceu.

A Internet, como muitos estão cansados de saber, trouxe, a baixo custo, a possibilidade de acesso a um canal para a comunicação grupal de alcance massivo. Isso representou uma mudança inesperada na forma como se joga o jogo da comunicação em função da entrada de novas regras, entre elas, a de que um produto digital pode ser copiado e distribuído infinitamente a preço (quase) insignificante, de forma rápida e sem perda de qualidade.

Geralmente fala-se mais concretamente dos prejuízos da indústria pela disputa sobre o modelo de distribuição de conteúdo. Como meu amigo lembra sempre, como é possível estimular o esforço se não há remuneração? Vou registrar, então, um caso - infelizmente pessoal - de consumidor lesado em função dessa disputa.

O exemplo clássico é o do dono do IPod que não pode baixar pelas vias oficiais as músicas que tem dentro do equipamento. É uma decisão do fabricante - a Apple - para, levando em conta antecipadamente a possibilidade de uso ilícito por alguns consumidores, impedir o compartilhamento do conteúdo. Essa situação, apesar de ser relativamente comum, dá margem para defesa: o dono do IPod tem os CDs ou, se comprou, pode baixar o conteúdo do site sem pagar. Mas como fazer quando esse mesma mesma armadilha prejudica o trabalho criativo de quem usa o equipamento?

Por exemplo: ontem à noite fui fazer a atualização do sistema operacional do meu IPad. (Esclareço que sou um “cidadão exemplar” no que concerne à maneira como utilizo esse equipamento. Respeito sem reclamar as travas na arquitetura do produto, pago todos os aplicativos que considero úteis e confiava que receberia o mesmo tratamento da Apple.) A atualização não deu certo, o equipamento travou, a única solução indicada pelo fabricante era reinstalar o sistema operacional - o que implicava em apagar tudo o que tinha dentro. Aceitei a solução confiando que poderia restaurar a configuração anterior usando essa funcionalidade do próprio ITunes. Mas nada disso funcionou.

O que eu faço? Processo a Apple por um conteúdo que não existe mais? Qual é a perspectiva que eu tenho de vencer uma disputa judicial contra uma empresa desse tamanho sendo que mesmo os meus recursos de tempo são limitados. E como provar o valor do que estava ali dentro e como quantificar esse valor?

Já adianto a resposta: o que eu perdi não tem valor porque não pode ser ressarcido. Foram embora os PDFs anotados de duas disciplinas e dois grupos de estudo do meu curso de mestrado. Os PDFs eu tenho guardados, mas os sublinhados, os comentários no canto das centenas de páginas lidas nos últimos dois meses, isso desapareceu para sempre. Mais do que o valor abstrato que esse conteúdo parece ter, essas marcações teriam a função prática e objetiva de facilitar o meu acesso a determinados trechos de informação e a reflexões para a produção, por exemplo, das avaliações das disciplinas que estou cursando e também da dissertação que vou escrever. Que preço tem isso? 

Não vou dizer que vou vender o IPad. Acho que ele continua sendo um produto útil. E, sim, vou tomar mais cuidado da próxima vez, mas também da próxima vez vou levar em consideração, na hora de escolher um tablet, se o equipamento trava ou facilita o backup de conteúdo. Porque o IPad, pela forma como está configurado, força ou comanda o usuário - particularmente o com menos conhecimento técnico - a depender do ITunes para fazer backup. Uma tarefa relativamente fácil, que seria copiar para um lugar seguro os meus preciosos PDFs comentados, se torna complexa e dá margem a esse tipo de efeito colateral.

Se a empresa não é capaz de garantir o bom funcionamento do produto nas condições que ela estabelece e se a empresa encherga seus interesses como sendo contrários aos de seus consumidores, não deve exigir o “bom funcionamento” do consumidor em relação à tomada de atitude para defender os interesses deles.

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Apesar do IPad, continuo consumindo livros de papel

Vira e mexe encontro textos defendendo o livro de papel. Me parece assunto oco. Não me pergunto se o livro de papel continuará existindo ou se será substituído pelo ebook reader. Nessa órbita de assuntos, os problemas interessantes são:

-  Qual é o grau de controle que o leitor terá do produto que comprar?

- Qual será a nova função a ser desempenhada pelas editoras no momento em que coordenar impressão e distribuição deixa de ser necessário?

- E ainda: o conceito de livro enquanto artefato para a transmissão de cultura sobreviverá ou se transmutará, por exemplo, em algo parecido com jogos ou quebra-cabeças narrativos, pela aplicação da interatividade e da animação?

O problema de ter o texto impresso em papel, o carinho pelo objeto físico, é compensado por outras vantagens: ter dicionário integrado para consultar instantâneamente, poder ajustar o contraste da página e - difícil de conceber -ter sempre a própria biblioteca a tiracolo.

Li recentemente anúncios da Amazon e da Pearson sobre crescimento expressivo na venda de ebooks, mas, ao contrário de trazer estabilidade, a mudança de plataforma de papel para digital deve aumentar a instabilidade no setor. É uma opinião fundada em experiência direta.

Um dos estímulos para comprar o IPad foi para fazer esse salto e, para a minha surpresa, depois de um mês, ainda não comprei nenhum ebook contra quatro novas aquisições impressas.

Movido pelo desejo de comprar livros automaticamente a partir de uma (supostamente) quase infinita variedade de opções, investi algumas horas nos últimos 30 dias tentando encontrar algo para ler no catálogo de ebooks da Amazon. E nada.

Uma parte do problema tem a ver com preço. O livro de papel tem um componente físico que aparentemente faz com que o preço dos itens seja parecido, digamos: algo entre US$15 e US$25. Já o ebook varia de grátis, passando pelos bem baratos - em torno de US$1 - por serem conhecidos e com copyright vencido, até os que valem mais de US$10.

Isso prejudica o sistema de avaliação que é uma das vantagens oferecidas pela Amazon. Livros grátis e quase grátis tendem a ser muito mais adquiridos, mas, nesse caso, “mais vendido” não é um indicativo preciso de novidade interessante.

Há outro elemento que dificulta a experiência de compra: no mercado americano, o livro é disponibilizado em dois momentos, primeiro como capa-dura, que é mais caro, e meses depois como capa-mole. E parece que o ebook só fica disponível junto com a edição mais batata.

O resultado é que a publicidade para o lançamento do livro não serve para alavancar a venda dos ebooks, que neste ponto ainda não estão disponíveis. Quando eles finalmente aparecem, a ferramenta de busca por avaliação, pelo motivo descrito acima, não serve para diferenciar as novidades bacanas dos muitos outros volumes com preços variáveis.

Já a experiência de ir a uma livraria tem sido um tormento, mas pelo motivo oposto: há estantes, os livros mais novos e interessantes estão em destaque e após uma passagem de olhos já estou fisgado. Em minutos descubro coisas que passaram a fazer falta quando eu descobri sua existência.

A aceleração do crescimento da venda de livros se deu APESAR da indisponibilidade de prateleiras digitais eficientes.

Fico me perguntando como está o cotidiano das pessoas que tem vivido esse processo, cada vez mais levados à beira do abismo de ter que mudar a hierarquia do produto, transformando o ebook em prioridade.

Milhares de livros disponibilizados a baixo custo, em formato digital, e seus produtores tendo que sobreviver comercialmente frente a possibilidade de popularização de softwares para quebrar a proteção desses arquivos e disponibilizá-los nas redes abertas de compartilhamento.

Enfim, talvez o livro deixe de ser a galinha de ovos das editoras e se torne a isca “freemium” para algum outro modelo de negócio que envolva, por exemplo, algum tipo de curso online. Por que não?

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O que é que o IPad tem?

Eu não fui com a cara do IPad de princípio, mas pessoas muito inteligentes e espertas que eu conheço compraram e ouvi de uma delas que considerava-o um produto revolucionário.

A oportunidade apareceu para eu comprar um desses “IPhones tamanho família”, como escutei alguém explicar do que se tratava o IPad para o amigo do lado.

Sim, ele é ergonomicamente feito para ser usado em movimento. Você já tentou usar um laptop enquanto espera em uma fila de banco?

Sim, o monitor é sensível e tudo é ajustado e comandado segundo o contexto do programa que está sendo usado.

E sim, ele funciona bem para quem quer ler material em PDF ou consumir ebooks.

Mas esses não são, para mim, o que está na raiz da inovação trazida pelo IPad. (Aliás, é um produto que geralmente passa a fazer mais sentido a partir do uso cotidiano. É difícil “sacar” o IPad sem explorá-lo no dia-a-dia.)

A grande mudança trazida pelo IPad - e isso talvez seja lugar comum para usuários de IPhone - é a transformação do conceito de “programa” - o que é e para que serve.

Para o usuário comum de computador, o programa tem pelo menos duas características: é um arquivo pesado e é caro. Logo, comprar (ou baixar) e instalar um programa requer um grau de expertise no manuseio da máquina.

Nos acostumamos a tratar programas como uma espécie de louça cara e que deve ser mexida (instalada ou desinstalada) com atenção.

O IPhone e agora o IPad re-significaram essa ideia simplificando radicalmente o processo de buscar, instalar, testar e depois comprar um programa. E eles deixaram de ser coisas grandes e caras que fazem dezenas de coisas para, a um preço acessível, se tornar pequenos resolvedores de problemas pontuais.

Um estudante universitário vai encontrar várias alternativas que sirvam para ajudalo naquilo que é peculiar à sua rotina e hábitos. Um engenheiro terá outros aplicativos à disposição, e assim por diante.

Por muito pouco, o IPad não substitui o computador. Pode substituir, mas faz falta uma saída USB. E em muitos outros aspectos, o que ele entrega para o usuário é superior ao que mesmo um laptop pode fazer.

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protoantropologia 02: como ler um livro?

o argumento do autor é que há livros que não precisam ser lidos do começo ao fim. “a gente nunca vai entender absolutamente tudo, certo?” - ele argumenta.

vou resumir a técnica dele a seguir, mas fica o registro, nao sei se por costume - ou preguiça, moralismo ou, sei lá, rebeldia, virtude - mas uma parte de mim resiste a essa proposta.

parece que estamos no fastfood do mundo acadêmico. devore a maior quantidade possível de informação ou seja devorado. e a história do movimento slow? apesar de eu ser super ansioso e agitado, talvez neste caso eu ainda não tenha entrado na onda.

é utópico querer desfrutar do que se faz? se essa dinâmica é um dado de realidade, por isso temos que aceitar essa realidade? ou a realidade está doente? [fim do desabafo]

basicamente, a proposta do autor é que a leitura seja feita de forma objetiva de maneira a se chegar ao conteúdo desejado/necessário. algumas dicas são:

- fazer tres leituras: a. recolhendo informações gerais, sacando o texto; b. (a mais demorada) refletindo sobre o assunto; c. escrevendo o que se entendeu para fixar o conteúdo e poder encontrá-lo facilmente depois.

- definir metas para terminar a leitura segundo o seu tempo disponível. ele tem como tempo standard para leitura 5 horas para um livro de 250 páginas, incluindo as três partes do processo.

- ele defende a leitura integral do livro, mas dando mais atenção a partes de concentração de conteúdo como introdução, conclusão, começo e fim dos capítulos, ilustrações.

é mais ou menos assim. voce pode ver o texto todo, que tem menos de dez páginas, aqui.

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protoantropologia 01: etnografia do velho novo estudante

de volta à escola. levo na mochila um laptop e um caderno de notas. ainda terei a perspectiva de optar entre um ebook reader e cópias impressas dos textos semanais. e a dúvida é recorrente, em aula ou na biblioteca, e ela é: onde anotar? o costume antigo é anotar no caderno e nas bordas dos livros e das cópias. mas isso invariavelmente encontrará o caminho para o registro digital. e nao se perder, se misturar, sumir, sujar entre agora e o tempo que isso for necessário. também há o tema do retrabalho: para que fazer as coisas duas vezes? por outro lado, me desconcentro fazendo anotaçoes no teclado durante as classes. ps. ah, e ainda vou fazendo anotações em áudio.

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YouTube - A vida em um dia Certeza que eu vou participar. Vamos?

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